AI Literacy Fundamentals
Zing Tsjeng (Author, Presenter & Podcaster)
Part 1 of 1
Tudo o que precisa de compreender sobre a IA

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Em novembro de 2022, a OpenAI lançou o ChatGPT, sigla de Chat Generative Pre‑Trained Transformer (GPT). O lançamento e a popularidade subsequente deste chatbot de IA foram descritos pela Insider como um “Evento cisne negro” — um acontecimento totalmente inesperado e improvável, com consequências de grande alcance.
O ChatGPT veio agravar receios já existentes sobre o impacto das tecnologias emergentes na disrupção de setores à escala global. Em 2022, o inquérito anual global à força de trabalho da PwC revelou que quase um terço dos inquiridos afirmava estar preocupado com a possibilidade de a sua função vir a ser substituída por tecnologia no prazo de três anos.
O que significa isto em termos práticos?
Enquanto jornalista, editora e autora, tenho acompanhado com interesse a ascensão da IA e do ChatGPT. Observei de perto o impacto da IA no meu setor e entre os meus pares e reflito constantemente sobre a forma como a tecnologia emergente pode transformar o mundo do trabalho e da criatividade.
A IA é algo novo?
Os cientistas investigam a Inteligência Artificial há já vários anos. O assistente digital da Apple, a Siri, por exemplo, funciona com base em IA. Talvez já tenha utilizado o Grammarly para verificar a ortografia ou a sintaxe de um texto — isso também é um exemplo de IA em funcionamento. Já usou o Google Maps e recebeu indicações para evitar um engarrafamento? Isso também é IA. Em suma: é muito provável que já esteja a utilizar IA sem sequer se aperceber disso.
O que torna o ChatGPT diferente?
Este chatbot poderoso é capaz de produzir texto conversacional em resposta a perguntas ou instruções dadas pelo utilizador. O texto gerado pode parecer surpreendentemente humano, embora já se tenha verificado que pode fornecer respostas incorretas, como demonstrou um estudo da Universidade de Purdue. Além disso, apresenta uma interface relativamente simples de utilizar, o que faz com que, para muitas pessoas, seja o primeiro contacto direto com uma aplicação de IA.
Porque é que as pessoas estão preocupadas com a IA?
A IA generativa — ou seja, a inteligência artificial capaz de criar imagens, texto e outros tipos de conteúdo — é aquilo a que a maioria das pessoas se refere quando fala hoje de IA. O ChatGPT é apenas um exemplo desse tipo de tecnologia.
O receio de que a criatividade humana e os trabalhadores sejam afastados, ou substituídos por uma vaga de arte, música ou conteúdos televisivos gerados por IA está na origem, em parte, das greves de argumentistas e atores ocorridas em 2022.
Como devem estas preocupações ser encaradas no trabalho?
As preocupações sobre o impacto da IA no local de trabalho têm fundamento. Quando a PwC analisou 200 000 funções profissionais em 29 países, concluiu que até 30% dos empregos poderão ser automatizáveis até meados da década de 2030.
No entanto, esta não é a visão completa. Tal como refere o The Economist, existem muitos avanços tecnológicos que surgiram com grande impacto mediático, mas acabaram por ter uma adoção limitada. Em 2020, por exemplo, apenas 1,6% das empresas norte‑americanas utilizavam machine learning. Apenas 25% dos fluxos de trabalho empresariais estão na cloud — e esse valor manteve‑se estagnado durante meio ano. Os consumidores tendem a ser adotantes precoces de tecnologia, mas o mesmo não se aplica às empresas.
Ignorar de que forma a IA pode transformar o seu trabalho seria imprudente — mas também o é esconder a cabeça na areia e recusar qualquer envolvimento por medo. Como referi anteriormente, existe uma forte probabilidade de já estar a interagir com IA — simplesmente sem o saber.