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Era julho de 2022. Eu estava fascinado com o poder do Midjourney, uma nova ferramenta de IA que tinha surgido recentemente. Finalmente, podia dar asas à minha criatividade e imaginar o que quisesse e a IA criava uma imagem abstrata com base na minha descrição. Fiquei impressionado! 

“Tudo o que costumávamos fazer no gabinete de arquitetura poderá mudar em breve” pensava eu naquela altura.

Lembro-me de ter feito uma breve apresentação sobre IA no escritório e de ter suscitado uma discussão sobre como poderíamos utilizar a IA no local de trabalho e todos ficaram entusiasmados. 

Alguns meses depois, tinha deixado o escritório, criado a minha própria empresa e estava a realizar projetos de design para os meus próprios clientes utilizando a Inteligência Artificial. 

Tudo parecia um sonho! Tinha concluído recentemente o mestrado em arquitetura e estava a trabalhar nos meus próprios projetos, ganhando muito mais dinheiro do que ganharia em qualquer gabinete de arquitetura, tudo porque aceitei a mudança que sabia que seria o futuro da minha profissão.  

Finalmente tive a oportunidade de ser dono do meu próprio design e de expressar a minha criatividade e a IA tornou isso possível. 

Hoje, sou cofundador da AI Hub, uma empresa que capacitou mais de 400 designers em todo o mundo e colaborou com empresas criativas, não só para conquistar mais projetos no valor de milhões de dólares, mas também para tornar o seu trabalho mais agradável e criativo, tirando partido da IA. 

Depois de trabalhar com centenas de pessoas criativas em todo o mundo, percebi o quão importante a inteligência artificial poderia ser para moldar as carreiras das pessoas. As pessoas agora podem superar qualquer limitação técnica e propor as ideias e os designs mais radicais para mudar o mundo. 

Mas o que acontecerá se todos utilizarem a IA? Será que alguma vez se criará algo de novo? A resposta curta é: não! 

Segundo um estudo da Universidade de Stanford, alimentar continuamente uma IA com conteúdo gerado por IA pode reduzir a qualidade do que ela produz. É por isso necessário introduzir novos dados reais, ou dados humanos recentes, nestes sistemas. 

Por outras palavras, só conseguimos gerar um impacto real através da cocriação e da colaboração entre a inteligência artificial e a inteligência humana; a IA, por si só, não é capaz de alcançar nada de significativo. 

Esta simbiose entre humanos e máquinas é um lembrete da imprescindibilidade da intuição e da imaginação humanas. No AI Hub, vimos em primeira mão como a IA pode servir como um assistente poderoso, mas a centelha inicial de criatividade deve vir sempre de uma mente humana. 

O crescimento da IA em áreas criativas como a arquitetura e o design não se resume apenas à eficiência ou à novidade. Trata-se de expandir o potencial humano para a criatividade. Com a IA a assumir as tarefas mais tediosas ou que exigem maior capacidade computacional, os seres humanos ficam livres para se dedicarem mais profundamente aos aspetos criativos do seu trabalho.  Isto pode levar a que se dedique mais capacidade intelectual à resolução dos desafios globais do nosso tempo.   

O futuro da IA na indústria criativa, tal como o vejo, é de parceria. A IA pode analisar grandes quantidades de dados, reconhecer padrões e fornecer sugestões com base em tendências históricas e princípios de design. Mas é o ser humano quem interpreta estas sugestões, acrescenta um toque pessoal e impregna a obra com relevância emocional e cultural. 

Pessoalmente, acredito que trabalhar com Inteligência Artificial em qualquer negócio pode conduzir ao sucesso, baseado em três princípios fundamentais:

1. Eliminar a fricção

O primeiro princípio sublinha a importância de identificar e eliminar a fricção nos processos do seu negócio. Isto implica localizar aquelas tarefas que são monótonas, repetitivas e que não contribuem para a satisfação ou realização no trabalho. 

Por exemplo, na arquitetura, isto pode incluir tarefas como rever um conjunto de desenhos face aos regulamentos de urbanismo ou garantir o cumprimento das normas de construção. Ao recorrer à IA para automatizar estas tarefas, não só agiliza o seu fluxo de trabalho, como também liberta tempo e energia mental para se dedicar aos aspetos mais criativos e gratificantes do seu trabalho. 

A capacidade da IA de lidar com precisão com tarefas demoradas e que implicam grandes quantidades de dados, pode melhorar significativamente a eficiência e a satisfação profissional. 

2. Capacitar a equipa

O segundo princípio realça a necessidade de integrar soluções que potenciem as capacidades das equipas. Isto passa por incorporar ferramentas de IA que complementem as competências e o conhecimento dos seus colaboradores, permitindo-lhes alcançar mais do que seriam capazes sozinhos. 

O objetivo é tornar a IA num multiplicador do talento e da criatividade da equipa, em vez de um substituto do esforço humano. 

3. Criar uma cultura centrada no ser humano

O terceiro princípio destaca a importância de potenciar uma cultura centrada nas pessoas dentro do negócio, mesmo ao integrar mais ferramentas e tecnologias de IA. Este princípio consiste em garantir que, embora a IA possa transformar processos e capacidades, o foco principal continua a ser nas pessoas — tanto colaboradores como clientes. 

Numa cultura centrada no ser humano, a tecnologia é vista como um meio para promover a interação humana, a criatividade e a tomada de decisões, em vez de as substituir ou ofuscar. Trata-se de aproveitar a IA para melhorar a qualidade de vida profissional dos colaboradores e a experiência dos clientes, sem perder o toque pessoal que torna cada interação única e significativa. 

Por fim, acredito que vivemos um dos períodos mais entusiasmantes da história, mas não devemos perder de vista a nossa responsabilidade de criar um futuro melhor para os nossos filhos. Por muito que queiramos avançar no desenvolvimento de tecnologias inovadoras, é fundamental lembrar que a tecnologia, por si só, não beneficiará um mundo habitado por milhares de milhões de pessoas. Talvez seja tempo de nos questionarmos: “A tecnologia é a resposta, mas qual é a pergunta?”